A cada dia surgem novos produtos e procedimentos a serem utilizados na coloração, que exige do profissional muita prática e informação para realizar, de maneira correta, esta técnica.
Dando seqüência ao nosso trabalho de esclarecer as principais dúvidas de nossos leitores sobre coloração e pigmentos, respondemos aqui duas perguntas interessantes que facilitarão o desempenho do profissional cabeleireiro.
O que eu preciso fazer para escurecer um cabelo muito claro, com sucesso?
Em um cabelo na cor natural 5 e com pontas na altura de tom 10, o que eu faço para uniformizar na cor natural sem que fique verde?
Estas questões têm respostas semelhantes que se complementam:
Quando um cabelo passa por um processo de descoloração, além de perder os pigmentos naturais ele sofre também uma perda de outros nutrientes causando assim uma determinada porosidade, que é agravada se no processo for usada uma fonte de calor. Esta porosidade e a falta de nutrientes dificultam a fixação da cor, que está relacionada com o estado do cabelo.
Quando um cabelo está muito claro, na altura de um tom 10, ele é declarado quimicamente sem pigmento, o que exige técnicas de reposição dos pigmentos que faltam. A cor natural de um cabelo contém azul, vermelho e amarelo: quanto mais azul mais escuro, o castanho claro contém mais vermelho e o louro mais amarelo. Quando vamos descolorir um cabelo o primeiro pigmento eliminado é o azul e o cabelo passa a ficar avermelhado. Mantendo o tempo de pausa passamos a retirar o vermelho, ficando alaranjado até o amarelo, e quando retiramos todo o amarelo o cabelo fica esbranquiçado e geralmente quebradiço. Quanto mais descolorido maiores os cuidados com a manutenção.
No processo de escurecer os cabelos descoloridos essa regra é usada de forma inversa. Toda coloração é feita para clarear os cabelos e deixá-los o mais natural possível, sem o aspecto avermelhado. Para que isto ocorra se faz necessário, no processo fabril, adicionar a contra cor do vermelho na sua formulação. Esta contra cor como sabemos é esverdeada, por isso não se escurece cabelo descolorido com tom natural, para não correr o risco de ficar verde ou muito cinza. Para este procedimento existem técnicas de pré-pigmentação ou repigmentação, confira:
Primeira técnica e mais antiga:
Escolha a cor e aplique um tom mais claro, com nuance acobreada ou avermelhada, pura ou com água morna; logo em seguida prepare a cor desejada e aplique com oxidante de 20 volumes com o tempo de pausa de 35 minutos.
Exemplo:
• O cabelo está com o tom 10.
• A cor desejada 5.
• A cor a ser aplicada na pré-pigmentação: um 6 avermelhado ou acobreado, que pode ser aplicado puro ou com água morna.
• Em seguida aplique a cor desejada 5 com oxidante de 20 volumes e tempo de pausa de 35 minutos.
Segunda técnica:
Escolha a cor e aplique um tonalizante ou uma coloração com oxidante de, no máximo, 10 volumes, um tom mais claro com nuance acobreada, avermelhada ou dourada, deixe em pausa por 20 minutos, enxágüe, e logo em seguida prepare a cor desejada com oxidante de 20 volumes e tempo de pausa de 35 minutos.
Exemplo:
• O cabelo está com o tom 10.
• A cor desejada 5.
• Tonalizar com 6 com nuance acobreada, avermelhada ou dourada e tempo de pausa de 20 minutos.
• Enxágüe.
• Aplicar a coloração 5 com oxidante de 20 volumes. Tempo de pausa de 35 minutos.
Terceira técnica:
Aplicar uma cor com um tom mais escuro que a desejada, com nuance dourada, deixar agir por 40 minutos e enxaguar. Esta técnica facilita voltar à cor mais clara, caso a cliente resolva, fato que seria muito difícil nas técnicas acima. Porém, o que predomina aqui é a técnica de aplicação, que deve ser precisa e minuciosa em todos os detalhes.
Exemplo:
• O cabelo está com tom 10.
• A cor desejada 5.
• Preparar a cor 4 com nuance dourada um pouco mais do que usaria normalmente; tempo de pausa de 40 minutos.
• Massagear mecha por mecha a cada 10 minutos.
• A cada massagem observar onde houve maior absorção da tinta e ir reaplicando nessas regiões o que sobrou da cumbuca.
• Enxaguar e aplicar um condicionador com pH abaixo de 3,5; de preferência não aplicar shampoo, ou caso não seja possível, aplicar shampoo com pH abaixo de 4,5.
Esta última técnica é uma das mais modernas, e para utilizá-la dependerá muito da qualidade e da quantidade de pigmento utilizado na coloração. Como não é possível determinar este fator através do rótulo, o cabeleireiro deve entrar em contato com o departamento técnico da empresa de coloração e se informar qual a melhor técnica aconselhável para este processo.
Com a abertura do mercado brasileiro vieram novos produtos, e com isso novos conceitos e técnicas. O produto é simplesmente uma ferramenta na mão de um profissional, por isso não existe produto que substitua o profissional cabeleireiro com seu diagnóstico e sua aplicação. O que podemos fazer é fornecer conhecimentos, que aumentam a capacidade técnica do profissional, para que ele utilize esta ferramenta com mais êxito colocando em prática a colorimetria moderna.
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